O tempo passou e a pobre Marília ia resistindo a doença, mas os gritos persistiam noite adentro como um lembrete do seu sofrimento e angústia, muitos vizinhos chegavam a comentar que melhor seria a morte a ter que suportar tamanho sofrimento.
As preces e orações passaram a fazer companhia aos gritos de Marília e toda a vizinhança pedia pelo fim daquele martírio. Finalmente, fora concedido à Marília o descanso que ela tanto merecia. Numa quinta-feira de céu nublado em que as folhas de outono caiam sobre as ruas e não se ouvia pássaro algum, Marília faleceu.
Todos ficaram aliviados pelo fim de seu sofrimento, e todos também imaginavam que seria o fim dos gritos de dor da pobre Marília, não poderiam estar mais enganados, pois naquela mesma quinta-feira, quando a noite chegou, perto das 23:00 horas, começou.
Alguns vizinhos que se assomaram as irmãs as questionaram do porquê daquela mudança repentina, as irmãs com os rostos pálidos e um olhar sombrio voltaram-se para os vizinhos curiosos e disseram: - Porque estamos nos mudando? Ora vocês não ouviram?
Os vizinhos retrucaram: - Ora meninas, deixem disso, era brincadeira de algum moleque travesso!
As moças por sua vez disseram: - Pessoal, os gritos saíram do quarto de Marília, e o quarto estava trancado!
Aquilo foi como se uma bomba tivesse caído sobre a vizinhança. Os gritos persistiram pelas noites, até que enfim chegou no sétimo dia e parou...
Até hoje os gritos ecooam na cabeça dos vizinhos pela mente recordando de que a vida não é somente esta e para aqueles que são céticos a respeito de tudo, esperem e parem um pouco para pensar e refletir, pois nem tudo é sólido e palpável como imaginamos. Muitas vezes podemos acordar deste nosso ceticismo por gritos na noite, gritos que não sabemos de onde vêm...
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